Como escolher mal um líder

 

POR MIKI SAXON

Líder: Pessoa ou coisa que lidera

Liderança: cargo ou função de um líder

Eu realmente não gosto dessas palavras. Falam em algo sem nenhum significado real. Ou só o têm quando se vêem as horas-homem despendidas ensinando e escrevendo sobre elas ou as centenas de milhões de dólares gastos em adquiri-las.

Particularmente, eu considero repugnante a prática de identificar “líderes” no início de suas carreiras. Por dois motivos:

  1. A idéia de que é possível identificar futuros “líderes” a partir de seus primeiros anos de trabalho é, no mínimo, imprecisa e, na pior hipótese, não inteligente. Os identificados ainda muito jovens são os que se destacam em ser notados, adoram os holofotes, possuem uma boa história para contar e tipicamente são atraentes e parte do mainstream. Os nerds e deslocados raramente são notados como futuros “líderes” – pense em Steve Jobs.
  2. Os “escolhidos” começam a receber atenção e orientação especiais desde o primeiro dia em que são identificados, então os traços que os fizeram ser notados vão ficando mais fortes. Fortalecer tais traços nem sempre é melhor para a empresa.

Investir no desenvolvimento de jovens que se destacam em seus primeiro cinco anos de trabalho alija de treinamento especial aqueles que trabalharam para chefes ruins ou que estão em empresas onde se contratam no nível inicial, profissionais não qualificados e sem nenhuma responsabilidade. Escolher alguém porque tem um MBA é ridículo – tudo o que o diploma prova é que eles puderam pagar para fazer uma pós-graduação (porque tinham dinheiro ou entraram em dívida) e que conseguiram chegar ao fim. E nada mais.

Além disso, a abordagem do “líder precoce” também elimina todos os que se revelam mais tarde, dando-lhes muito menos oportunidades de se destacar.

A segunda razão é ainda pior: os jovens agraciados privilegiados por grandeza, são dados como especiais. Ser especial os diferencia; de repente, um é melhor que os outros e isso significa que deve haver regras diferentes para ele, porque é especial, melhor – e com direitos. Essa atitude foi bem descrita por Richard Nixon, quando disse: “Quando o presidente faz algo, isso significa que não é ilegal”.

O fato de terem criado tais “líderes” é, em parte, responsável pelo desastre atual.

Miki Saxo é CEO da RampUP Solutions, fornecedora de soluções de cultura, retenção e motivação para empresas start-ups e em crescimento.

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