ÉTICA APLICADA ÀS RELAÇÕES DE TRABALHO

29 de agosto de 2010

Segundo os filósofos a ética tem por finalidade educar o caráter humano, conter seus instintos e orientá-lo para o bem, de modo a adequar o indivíduo à sua comunidade. Concilia o caráter do sujeito virtuoso com os valores do grupo social, que se espera que seja igualmente virtuoso.

A ética abrange apenas ações que dizem respeito ao possível, àquilo que comporta deliberações ou escolhas humanas, à vontade guiada pela razão, que são os elementos fundamentais da vida ética.

A ética é importante nas relações humanas, já que é através dela que nos tornamos mais humanos, transformamos em atos o que há de potencial em nós, contemos nossos instintos e nos orientamos para o bem. Na minha vida profissional a ética é importante porque pauta minhas ações no sentido de servirem ao bem comum. Em meu papel de líder, tanto no ambiente corporativo quanto na comunidade onde estou devo aproveitar a oportunidade para fornecer bons exemplos de conduta ética aos que me rodeiam.

A relativização da ética, o utilitarismo, o senso de relações descartáveis vem produzindo seqüelas sociais profundas, prejudicando tanto o indivíduo, quanto a família, comprometendo nossa sociedade e gerando uma conta alta a ser paga também pelas futuras gerações. Assim, urge que cada um de nós seja responsável na esfera que nos cabe, seja em nossos lares, sendo exemplos de ética e de conduta, sejam em nossas empresas, tanto nas relações de liderança, quanto nas de liderado.

O modelo do “custe o que custar”, a atitude e a ação egoísta, onde os “fins justificam os meios” não tem sustentabilidade, numa escala de médio e longo prazo, bem como, mesmo em uma escala de curtíssimo prazo, quando aplicado em uma escala coletiva, quiçá global.


Usando o e-mail de forma eficaz

26 de junho de 2010

O e-mail é mais um canal de comunicação. E como tal, possui suas limitações intrínsecas ao processo de comunicação que o canal comporta.

Um dos grandes desafios da humanidade é a comunicação. Quando falamos com alguém fazemos uso dos canais verbais (palavras) e dos não-verbais (entonação de voz, postura corporal, gestos, etc.). Pesquisas revelam que somente 7% da comunicação interpessoal pode ser transcrita por palavras. 38% é oriundo da inflexão da voz, e os outros 55% resultam da expressão facial e da linguagem corporal.

Por isso, o e-mail é fonte de tanto mal entendido e perda de tempo, pois ele usa única e exclusivamente palavras. Ao usarmos o e-mail conseguimos, na melhor das hipóteses, transmitir 7% daquilo que desejamos comunicar. Os outros 93% deixam de ser transmitidos, ficam somente dentro da cabeça do emissor da mensagem, ou seja, não é comunicada. Do outro lado, o receptor irá interpretar e decodificar 7% da mensagem, e, por fatores diversos, deverá compreender de 2 a 3% da mensagem original!

Assim, não precisamos ser especialistas nem estudiosos do assunto comunicação para saber que uma ligação telefônica “resolve muito mais” do que um e-mail. Evidentemente, numa ligação telefônica usamos palavras e inflexão de voz, ou seja, 45% da mensagem que queremos comunicar é transmitida.

Mas, uma comunicação eficiente, completa, sem dúvida, é aquela feita pessoalmente. Nela, podemos levar 100% de nossa mensagem.

Não há dúvidas que SEMPRE devemos preferir que a comunicação seja feita pessoalmente. Contudo, alguns argumentam que o e-mail pode economizar tempo, mas pessoalmente, acho o argumento duvidoso, já que uma comunicação ineficaz gera perda de tempo e de dinheiro para as pessoas e empresas.

Como podemos tirar melhor proveito do e-mail?

Para evitar uso incorreto e impróprio do correio eletrônico, algumas regras básicas já vêm sendo adotadas pelas empresas:

  • · Use texto enxuto e objetivo – dado o acúmulo de mensagens, as pessoas acabam fazendo uma espécie de leitura transversal dos textos mais longos, o que gera perdas na recepção da mensagem; assim, as informações mais importantes devem estar no primeiro parágrafo;
  • · Texto enviado a muito destinatários – a mensagem pode ser relegada a segundo plano, dentro do critério de que o envio de cópia serve apenas para se tomar conhecimento; a única exceção seria uma circular com vários destinatários. O hábito de se copiar vários destinatários sobre o pretexto de “se documentar” deve ser repensado. Qual o benéfico para a empresa e a cultura organizacional em manter no quadro efetivo pessoas detentoras de um caráter tal que precisam de ser fiscalizadas o tempo todo, sob pena de cometer transgressões morais?
  • · Spams e piadas – as pessoas que insistem em enviar sucessivas mensagens sem iimportância ou fora de contexto podem comprometer seriamente a própria imagem profissional;
  • · Correntes – é no mínimo indelicado passar adiante correntes que prometem milhões de reais ou que encerram ameaças, somente admitindo-se aquelas que envolvam causas sociais e humanitárias, por exemplo, crianças desaparecidas; muitas empresas estão centralizando essa distribuição na área de comunicação social, a fim de evitar o uso indevido da sua rede;
  • · E-mail profissional versus particular – algumas empresas já estão impondo uma separação entre esses dois canais, para evitar futuros problemas com relação ao sigilo pessoal e empresarial;
  • · Agressividade potencial – mesmo sem intenção, a linguagem escrita pode magoar muito mais as pessoas do que a linguagem oral. Portanto, cuidado com os “punhais escritos”;
  • · Ansiedade pela resposta – ao contrário do Japão, onde a ausência de resposta significa a concordância com a mensagem, aqui isso é considerado falta de interesse.
  • · Privacidade zero – assim como um cartão postal, o correio eletrônico pode ser facilmente devassado por terceiros; hoje as empresas já incluem cláusulas de concordância nos contratos de trabalho ou empregam softwares que rastreiam palavras-chave, tais como sexo, pedofilia, etc. O e-mail, quando está transitando na Internet pode ser facilmente lido, já que ele trafega como um cartão postal, ou seja, como uma correspondência sempre aberta e passível de ser lida.
  • · Maledicências e sarcasmos – é bom lembrar que a mensagem pode ser indevidamente encaminhada a terceiros que decerto não aprovarão o seu conteúdo.

A tecnologia da informação trouxe oportunidades e ameaças na comunicação instantânea. Mas, nos momentos difíceis e sensíveis, nada substitui a sensação de apoio e presença física transmitida por alguém, mesmo que nenhuma palavra seja dita, ou escrita.

Quais foram os desafios relacionados com comunicação pelos quais você passou e superou? Conte sua história, compartilhe com nossa comunidade sua experiência. Deixe seu comentário aqui!


Processo Decisório

11 de novembro de 2009

 

Como Você decide?

Recentemente me deparei com um método interessante que diz respeito a como tomar decisões em momentos difíceis. Criado por Suzy Welch, mulher do ex-CEO da GE, Jack Welch, o método foi chamado por ela de 10-10-10.

Funciona assim: Diante de uma encruzilhada, avaliamos quais seriam as consequências de nossa decisão nos próximos 10 minutos, 10 meses e 10 anos. Lógico que essa questão de 10 é apenas uma figura, uma representação, o importante é avaliarmos as consequências de curto, médio e longo prazo.

Parece simples e fácil, não?! Pois é, principalmente quando estamos “fora da linha de fogo”.  Será?! Já que tudo que é importante normalmente é simples e fácil, vamos aprofundar um pouco mais nesse método de resolução de dilemas.

Todos os dias nós nos deparamos com dilemas, grandes ou pequenos. Alguns são fáceis de serem resolvidos, e não nos trazem maiores complicações. Outros porém, literalmente “nos bloqueiam”, não encontramos solução rápida e eles podem realmente causar “danos colaterais” a pessoas ou projetos que nos são caros.

Nesse contexto, o método 10-10-10 serve para trocarmos a reatividade (misto de instinto e posterior culpa) por um processo de diálogo interior (ou exterior, conforme o caso).

  1. Examinar todas as soluções possíveis, não apenas as evidentes ou mais convenientes.
  2. Pensar quais seriam as consequências de cada uma das opções em 10 minutos, 10 meses, 10 anos.

Para quem se interessar em aprofundar mais nesse assunto recomendo o livro “10-10-10: A Life Transforming Idea” (ed. Simon & Schuster), de Suzy Welch.